“Em tempos de pandemia todos tiveram que se ‘aventurar’ nas tecnologias, esse é o legado que fica”

Dando sequência à série “Diálogos com gestores educacionais”, conversamos com o secretário de Educação de Águas Mornas (SC), Mário Fernandes, um caso raro no Brasil: há 12 anos e por três mandatos diferentes, o gestor lidera a pasta no município. Confira.

 

Águas Mornas, cidade catarinense localizada na região da Grande Florianópolis, possui menos de 5 mil habitantes. Seus desafios na agenda da educação são particulares, assim como suas experiências no campo que inspiram uma série de municípios vizinhos – alguns com mais de 300 mil habitantes. Outra curiosidade é um caso raro de continuidade de gestão: diferentemente da maioria das cidades brasileiras, o secretário de Educação, Mário Fernandes, está no cargo por três mandatos, completando, em 2020, 12 anos à frente da secretaria.

Desde 2015, Águas Mornas faz parte do Arranjo de Desenvolvimento da Educação da Grande Florianópolis (ADE) e tem como princípio o trabalho em colaboração. O agrupamento de cidades tem perfil bastante diversificado. Além de contar com municípios de portes diferentes, tem áreas com altíssimo nível de urbanização e outras de perfil basicamente rural. Para o secretário, é no entendimento sobre o que os diferencia e o que os aproxima que a colaboração acontece. 

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O secretário de Educação de Águas Mornas (SC), Mário Fernandes

“Em Santa Catarina, assim como em todo o Brasil, as principais dificuldades do momento atual passam por organizar rotinas dos profissionais da educação, conceber novas metodologias de ensino de forma não presencial, formar os educadores que atuam diretamente com as crianças e avaliar alunos para tentar minimizar perdas no aprendizado”, explica.  

Desde que a pandemia causada pela Covid-19 obrigou os gestores educacionais a tomarem a decisão do fechamento das escolas, as demandas prioritárias mudaram completamente e a rotina teve que ser repensada de forma geral.

No início da crise, Águas Claras implantou uma plataforma com atividades para os estudantes. Vale lembrar que a cidade conta com uma boa cobertura de sinal de internet, o que facilitou a realização de atividades pedagógicas a distância. Outro ponto positivo diz respeito à experiência de trabalho em ambiente virtual dentro do arranjo – de uma forma ou de outra, todos os municípios da Grande Florianópolis já atuavam com ações em sites e redes sociais, como complemento aos conteúdos em meio impresso.

“Acabamos de fazer uma pesquisa com nossos profissionais e com os estudantes e suas famílias para entender as dificuldades de cada um e propor novas ações ou melhorar as que já praticamos. Neste momento estamos pensando a retomada das atividades presenciais – em acordo com um Decreto Estadual que prevê o retorno das aulas em 3 de agosto -, em composição com as atividades não presenciais. Estamos planejando aproveitar os feriados, alongar o calendário letivo em dezembro e fortalecer atividades extras na plataforma digital para dar conta do currículo.”

 

Articulação com entes federativos e caminhos para o futuro

Fernandes conta que o Arranjo de Desenvolvimento da Educação da Grande Florianópolis tem sido um excelente espaço de articulação, já que o diálogo com o Governo do Estado e o Governo Federal não foi efetivo para o encaminhamento de soluções conjuntas. “Nenhum dos dois entes maiores se empenhou para, juntamente como os municípios, oferecer ferramentas que pudessem ajudar na resolução das dificuldades. Talvez, respeitando a autonomia de cada ente federativo, este seja o encaminhamento correto, no entanto, também poderíamos ter alguma parceria, sem ser impositivos, para o trabalho em colaboração.”

O gestor reconhece a falta de um Sistema Nacional de Educação. “Quando temos um sistema organizado, com atribuições definidas para cada ente, o desencadeamento de ações e soluções fica mais leve e claro para todos. Preocupações, soluções e proposições seriam compartilhadas e abriríamos um leque infinitamente maior de colaboradores.”

Sobre o futuro, o secretário aponta a competência digital como um campo a se desenvolver – inclusive pela experiência da pandemia e do isolamento social e por ser uma das competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). “Professores, estudantes, pais, todos tiveram que se ‘aventurar’ nas tecnologias. Dentro do espectro do processo das aulas, o momento deixará várias ações que deverão ficar de forma permanente, como aulas com metodologias ativas, uso de mídias digitais, relacionamento com as famílias e outras experiências que essa situação de pandemia acabou nos propiciando.”

 

Leia as outras entrevistas da série “Diálogos com gestores educacionais”

 

 

2020-07-16T16:06:51-03:00